quarta-feira, 12 de março de 2014

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A FRAGMENTAÇÃO DA LITERATURA POP

A fragmentação é pop. A literatura submersa nas relações doentias da sociedade virtual, perdida entre verdades, mentiras e jogos irreais, se apruma em meio à confusão das redes sociais. Um post no Facebook pode ser tão literário quanto um romance. Basta fazer-se crível, ou não, em meio à balbúrdia de sentimentos exarcebados por trás do teclado de um computador ou celular.

O texto virtual é, muitas vezes, mais literário que a própria literatura. No momento em que alguém se mete atrás de um avatar, mera representação do seu eu verdadeiro, transforma-se em personagem de si mesmo. O personagem muitas vezes confuso, enfiado me fakes diversos ou em uma persona diferente, fisicamente até, do original, joga o escritor-leitor-ator em meio a outros tantos personagens a interagirem no twitter, Facebook ou qualquer outro naplicativo que venha a ser apresentado em um futuro próximo.

Os escritores-atores de suas próprias histórias se movimentam nas ruas, tiram fotos, contam o que acontece no seu dia-a-dia, o que comem, bebem, com quem conversaram, quem beijaram, treparam, suas aventuras e desejos. Emitem opiniões e discutem, confundindo realidade com o que se passa dentro de suas próprias cabeças, como se as respostas e as conversa estivessem interconectadas cérebro a cérebro, mensagens telepáticas via Internet.

Que também podem causar distúrbios na vida real. Preconceitos, racismo, ofensas gratuitas e, consequentemnete, processos penais ou meras especulações financeiras, entrepõem personagens e autores, avatares e pessoas de carne e osso. Obviamente todo esse jogo confuso também se reflete nas artes. Músicas elaboradas à distância, obras de arte expostas online, fugazes, destruídas em instantes mas compartilhadas em arquivos digitais, filmes que não são lançados, são curtidos no YouTube, substituindo o palco, o público balançando as mãos, cantando, cada um em sua própria casa, meio de transporte ou ambientes de trabalho.

A fragmentação desse mundo, entrecortado, nervoso, cut-up de cenas, memórias coletivas e textos curtos, se reflete na literatura em sua caminhada rumo ao pop. Porque a literatura deve ser pop? Porque não existe outro caminho. O caminho linear nos leva ao começo. É um círculo. A fragmentação funciona como a maré. Tudo é jogado ao mar e tudo retorna. Cada dia diferente. A literatura pasmacenta, ensimesmada na técnica das academias, retorna ao seu próprio umbigo, fugindo da interação e, portanto, se tornando instrumento do autor.

A literatura pop, que se expande e se joga em meio ao calhamaço de informações e bobagens da Internet entranha-se e se alimenta da sociedade, virtual e real. A literatura pop é um post no Facebook, são 140 caracteres no twitter. A literatura pop é uma revista de papel barato num banco de rodoviária. É o punk, o beat, a libertação pop ressuscitada em mentes conectadas. O leitor consome a balbúrdia de textos e a literatura, mesmo que em textos curtos sem aparente conexão, assume a forma de um texto complexo, definitivo, interativo, disforme.

Mas o imaginário está lá. E o imaginário do autor está lá. Suas carcterísticas, a do escritor que se interpõe e propõe o texto. Aquele que não se esquiva do combate e do debate. Seus textos espaçados por sites e redes se formam com o tempo na mente do leitor-personagem. O próprio leitor, inserido na Internet, se torna leitor e ator da história, sendo incompatível separar vida e obra tanto de autores quanto de leitores.

O que diferencia um agente ativo de um passivo nessa literatura pop fragmentada é a proposição. E aquele que dá a partida, corta em um lugar para colar em outro, assume a autoria de uma obra coletiva significada por sua personalidade e seu texto que faz a sinapse entre links e mentes, criando o imaginário em sua base: a mente humana individual. O imaginário pop. A fragmentação da vida. A expansão do texto. A literatura pop contemporânea, retrato, reflexo e personagem se seu próprio tempo.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

BREVETE: MASTURBAÇÃO

Pequeno Brevete Sobre a Masturbação
(do Livro dos Livros, fascículo XXIII)

A masturbação não existia até o advento da indústria. Eis que um dia Onam, um judeu operário de uma fábrica em Manchester, em um ato falho na fábrica de tecidos em que trabalhava, deixou a mão escapar por entre as coxas. A mão, viciada no moto contínuo da máquina de tear, continuou o movimento em seu membro que, incontinente, enrijeceu e ele gozou sobre uma malha branca que se estendia por quilômetros na tecelagem.

Karl Marx, que bebia cerveja preta em um bar próximo, ouviu a história e soube da demissão do trabalhador. Visitou-o em seu funeral, pois dias depois ele morreu em um terremoto em Lisboa, e deu-lhe a extrema unção. A masturbação causou um colapso na indústria inglesa e Marx, embevecido com o vinho do Porto que Engels contrabandeara na alfândega, fez um discurso em Berlim, chamado o putsch da cervejaria.

Noel Gallagher, 200 anos depois, cantou sobre não desejar o ódio e masturbar-se. Willhem Reich ouviu a música e fez um estudo analítico sobre o efeito da masturbação sobre a produção industrial inglesa e chegou a conclusão que se todos os jovens dirigissem sua enegria sexual para a revolução o Oasis nunca teria existido.

O Papa João Paulo I, inclusive, foi morto num surto masturbatório de um socialista. Seu nome não é revelado pela Máfia, mas nas lojas macônicas todos sabem o poder do socialismo e da oração de Marx sobre o túmulo de Onam. A masturbação é proibida entre os verdadeiros socialistas pois, além de desviar a energia sexual, leva a pederastia, um mal do capitalismo imperialista americano.

(leia mais em Gallagher, Noel)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

MULHERES DE BOTAS!

Mulheres de botas pisam fundo
Mulheres de botas caminham longe e não perdoam
Mulheres de botas bebem nas botas e, dizem, vomitam nas botas
Mulheres de botas nunca andam sós, os pés caminham junto delas
para onde as botas as quiserem levar

Botas vermelhas, de canos longos, de salto baixo
Botas de chuva, de couro, de borracha, botas amarelas
Botas coloridas, de caveiras, botas velhas e empoeiradas
Botas salto alto, cano curto, bota de assassina
com meu coração na mira

Mulheres de botas comem idiotas no almoço
Mulheres de botas não jantam, ceiam covardes com prazer
Mulheres de botas suas maníacas de taras alheias
Os desejos de pés de mulher escondidos sob botas
que só mulheres de botas sabem usar

Botas pretas, de camurça, botas sem sola de camisola
Botas de filme de terror, policiais de botas chutando
abobados que amam mulheres de botas
Botas safadas que saem pela estradas escarniçando
e pisando panacas como nós

Mulheres de botam pisem em todos nós
Seremos esmagados com prazer
Mulheres de botas não perdoam, fumam a alma
dos infelizes que cruzam por suas ruas
Mulheres de botas para nós sempre estarão nuas


NÃO SOU FILHO DE ALEMÃES

Acabei de cochilar no sofá enquanto o Lorenzo assistia TV.
Tomei um copo de Grapette e comi 3 bolachas água e sal.
Estou com frio mas, tipo, foda-se.
Tenho um fone ouvido que funciona um lado só.
A gata corta os fios dos fones. Maldita.
Isso aqui poderia ser a porra de um poema
se eu me chamasse Charles e fosse filho de alemães.
Não é. Não sou nem filho da puta.
Se você poderia estar rico.
Se estivesse rico talvez tivesse uma coleção de fones de ouvido,
muitos deles indestrutíveis por gatos.
Poderia ter muitos gatos, talvez muitos filhos.
Estaria bêbado,
pois os ricos que não vivem bêbados não merecem viver.
Eu teria um time de rugby que se chamaria Red,
assim em inglês, como bom burguês,
e treinaria nos dias ímpares pois não gosto dos pares.
Meu bar ficaria no porão
(adendo: eu teria um porão, o maior da cidade)
e convidaria pessoas do meu naipe
(baixo, indigesto, porém sincero)
e vez ou outra escolheríamos algum cretino para bater.
Assim, por nada, como convém bater em cretinos.
Mas o Grapette acabou e a bolacha se acumula nos cantos
dos sisos que nasceu depois dos 30.
É, pelo jeito terei que escutar música num ouvido só.
Muitas vezes é preferível ser mono a estéreo.
Pelo menos sei que não estou escutando vozes.
Ou estou?
Foda-se, Lorenzo não vai dormir tão cedo mesmo.
Melhor esquentar o café da tarde.
É difícil não ser Charles.
Nem filho de alemães.

(a imagem é roubada, aliás, como tudo que escrevo é)


quinta-feira, 5 de julho de 2012

ASSIM NASCEU O UNIVERSO

Bóson nasceu na pequena Cork. Sua família morreu na grande fome de meados do século XIX. Como todo desgraçado irlandês, fugiu, órfã e solitária, da morte quase certa. Os irlandeses mais ricos fugiram pra América. Os menos, pra Inglaterra. Os mais pobres, incluindo Bóson, se refugiaram na Escócia. Na Irlanda ficaram apenas aqueles que estavam tão bêbados que não se deram conta que estavam com fome.

Tímida, a imberbe Bóson, acostumada às lides do campo e domésticas, conseguiu o emprego em uma mal-afamada taverna de Edinburgo chamada Clube da Caverna, em inglês "Cavern Club". Os freqüentadores não passavam de universitários atrás de presas fáceis, nobres escroques e alcoolizados à procura de rituais pagãos e mundanismo.

Bóson, como toda boa estirpe irlandesa, católica e fervorosa, abominava tudo isso, mas o estômago falava mais alto. Rezava para todos os santos e pedia proteção para sua virgindade. Até que um dia um escocês que, apesar de ruivo e barbudo, era bonito e encorpado, lhe dirigiu olhares indecorosos. Bóson, então com 19 anos, não sabia o que lhe subia pelas entranhas, mas quando fechava os olhos à noite se deparava suando e, tremendo, se despia e esperava passar o calor. 

Até que certa noite, ao lhe servir uma caneca de cerveja forte acompanhada de uísque o ruivo garboso lhe dirigiu a palavra. Seu nome era Higgs e lhe perguntou seu nome, de onde era. Higgs era muito sutil com as palavras e sabia que ali estava uma fruta que tinha caído longe do pé. Uma bela irlandesa de olhos verdes. No outro dia apareceu mais cedo e, pedindo permissão para o dono do restaurante, convidou Bóson para dar uma caminhada pelas ruas de Edinburgo.

Numa viela, arrebatada por elogios e poesias roubadas dos clássicos que Higgs estudava na universidade, Bóson se entregou às carícias de seu companheiro. Despida sob a noite fria da Escócia, Higgs lhe apresentou seu instrumento de penetração e a possuiu ali mesmo, sob as estrelas brilhantes do hemisfério norte. Bóson sentiu tremores pernas abaixo e, quase que rezando, gemeu. Era setembro. Uma voz ao fundo cantarolava "A Day in The Life". 

Foi neste dia que nasceu o Universo.



quarta-feira, 6 de junho de 2012

MALDITA CHAMPANHA - Capítulo 25 (ÚLTIMO)


Capítulo 25

Minha cabeça doía e eu não sabia onde estava. Era um quarto. Mas um quarto aonde minha cabeça ainda tentava entender o que era. Não era de motel. Não tinha tevê pendurada, espelho grande na parede ou no teto e muito menos tinha um aparelho de televisão. Uma brisa leve entrava pela janela, a luz do sol entremeada por pedaços de cortina esvoaçando. De longe um som de música, Lou Reed se é que meu cérebro não virou uma geleia. Alguém cantarolando sozinho, quer dizer, fazendo uma segunda voz em cima da do Lou. Satellite of looove! Satellaaaaai! No quarto nada que me indicasse com quem diabos eu tinha dormido. Se eu tinha trepado. Estava nua. Mas as roupas não estavam no quarto. Fora isso o torpor da ressaca e a vontade louca de tomar uma Coca-Cola me impediam de imaginar o que eu sentia. Pelo menos minha carteira estava do lado da cama e um isqueiro, que não era meu pois eu não tinha comprado isqueiro, se é que não comprei. O vento começou a vazar mais forte pela cortina e fiz menção de me levantar e encostar o vidro, mas a preguiça venceu. Era divertido curtir o vento desenhando formas pela fina cortina da janela enquanto eu sentia a nicotina entorpecendo meus pulmões. Respirei fundo e esperei. A música que vinha pela porta, era outra, alguém, o alguém que eu estava junto, tinha colocado uma coletânea, por certo. Agora era um Hey, sugar, take walk on the wild side. A festa deve ter sido boa. Minha garganta ardia. Quase certo que era azia de champanha. Os pés do alguém, descalços, foram chegando mais perto. O alguém apareceu contra a luz da porta e eu não enxerguei de cara quem era, a visão ainda turva do sono. Dormiu bem? Me perguntou a voz. Sim, respondi sem pensar. Chegou mais perto. Era Léo, vestindo um jeans e a camisa aberta. Numa das mãos carregava uma caneca e noutra um copo. Coca ou café? Perguntou. Coca, respondi. Ele se aproximou e me entregou o copo. Começou a beber do café. Pegou o cigarro da minha mão e deu uma tragada. Não sabia que ele fumava. Ou não lembrava. Pensei em falar, mas não falei. Ele riu pra dentro, baixinho, quase silenciosamente. Um sorriso lindo. O mais lindo que eu poderia esperar. A boca dele é linda. Seus olhos castanhos brilham e ele os deixa de fora por entre o vapor do café. A fumaça de cigarro que sai pelas minhas narinas não é a mesma de ontem. O vento que agora bate em meu rosto é diferente. As paredes não são tão paradas e vazias como eram antes. Minha sede é maior que jamais foi. Minhas pernas tremem. Sinto o vagar dos anos que ainda não vivi. Ele tira a caneca do rosto e abre um sorriso sem dentes. Um sorriso safo. Pega na minha mão e acaricia meus dedos. Terminamos nossas bebidas e ele senta ao meu lado, braços pra trás. Me aconchego em seu peito e ele me abraça. Ele vai falar, mas eu tapo sua boca com minha mão direita. Não fala, digo. Ele não fala. Me enrosco em suas pernas e fecho os olhos. Bendita champanha.